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Mostrando postagens de Junho, 2009

Epifaaa... pifo

Nem é legal chegar pela 8ª vez atrasada no mês quando o saldo máximo são 3. Essa é a justificativa para eu estar aqui na parada de ônibus. Manhã de neblina quase sólida, difícil enxergar três passos à frente de mim. Calças largas amarelas, camiseta branca, não é o uniforme (sempre tive problemas com isso, pra mim é uma sutil arte das trevas666). Tô aqui do lado contrário do portão de entrada do colégio esperando que bata o segundo sinal. Uhun, vou pular a grade lateral pra não ouvir que vão me mandar logo de uma vez pro Conselho Tutelar, afinal, sou infratora (Tudo bem, C.T. é pra proteção e não punição, mas não é nesse sentido que falam pra mim). Há um tempinho pouco conclui um livro que me maltratou, de verdade. Mais ainda porque eu tentava parar com a violência, no entanto falharam as tentativas. O livro possuia ali a minha vida, porém nem alguém que tenha convivido comigo durante todos estes 17 anos e 5/6 poderia encontrar qualquer semelhança. Nem minha mãe. Só eu, apenas eu e ma…

Flor beija beija-flor.

Há dias tento escrever alguma coisa que soe bem, que entre bem. Eu mesma ando não respeitando a minha famigerada inconveniência da palavra. Isso acontece quando há o outro lado, meu outro lado que não é meu fisicamente. Tudo o que se espera é que a esperança saiba esperar pacientemente dos dois lados e que nenhuma dor ou descaso a sobreponha. Há momentos que vivemos sem nenhum futuro, sem nenhuma motivação, humana ou não. Eu o observo, é compulsivo, incomoda-o, mas é tudo da minha mente.
Mais uma vez, entro no metrô, como em todos os dias de hábitos regulares, as pessoas olham, sempre. Eu com olhos altos e quase sempre entreabertos naquela hora do dia. Vestidos-cores e antigos, amassados, sob o sol laranja da rua que atravessa a janela do trem. Sou pintura, desenhada a nanquim. Não podem nunca dizer imediatamente de onde eu vim, ou de longe ou perto, abaixo ou acima. Sou bela por isso: Resto de brocados, maus costumes, sem bens, apenas riso, sonhos e flautas, os quais atribuo valores i…
Amizade companheira que está do meu lado
Cria aza e voa, pelo os campos do cerrado

Mande beijos, mande abraços
Pra quem tanto quero bem
Traz-me noticias dela
E pergunte a lua bela
Se pra esses céus ainda vem.

Desconcerto não!

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E sobre a eternidade da paixão?
Quem sou eu? Sou sentindo, conhecendo e amando. O amor é que me serve como ciência de mim mesma. É uma confiança (o nosso), uma promessa de semelhança, onde à primeiras vistas humanas só há dessemelhanças.
Atenteis para o fato: O outro que se ama é uma ameaça. É risco. Abdicar de uma identidade. O que se espera amando desse jeito? Confiando na promessa de sermos semelhantes àquilo que desconhecemos? Assim reconheço que existo.
"Quando estiver unido a ti por todo o meu ser(...) e viva será a minha vida. Minha vida é uma vida autêntica, eu existo. O existir significa viver radicalmente na possibilidade." Santo Agostinho- Confissões.
Eu que te amo. Que chama o que eu não sabia que era, como se me ajudasse a partir a eternidade para dentro e fora de mim mesma.
Não há amor que me livre da morte, mas há o que me livra do medo da morte. O medo é o primeiro a ocupar a almar, mas não é ele que permanece lá, porque só entra pra introduzir o amor. Bom. N…

Fio da maldade se enrola.

Quem é pobre sabe. Sabe o peso de viver.
Mas eu não prefiro assim. E a maldade do mundo?
Também não prefiro assim.
Prefiro assim, com você, juntinho, sem caber de imaginar até o fim raiar.


Seios Jovens

Escrever, ler, viajar, fotografar e amar: Viver! Já disse para o mundo que eu quero é viver. Vem uma resposta, muda, mas feroz, na primeira. Depois, ele pergunta: Viver o quê? Do quê? Livros, romances, estradas. Ele devolve asperamente: depois da graduação poderá viver.
A história da minha vida não tem um centro, mas tem um caminho. Já contei alguma coisa sobre ela. Eu queria mesmo era parar de falar somente dos momentos esclarecidos, partir para os momentos secretos, das coisas que ocultei sobre certos fatos, certos sentimentos. Começamos sempre a escrever num ambiente que nos obriga ao pudor: escola. Escrever, pra eles, é ainda moral. Pra mim, às vezes, pode não significar nada. Por vezes sei disto: A partir do momento em que não for, confundida todas as coisas, ir ao sabor da vaidade e do vento, escrever é nada. Quando não for, sempre, a confusão de todas as coisas numa única por essência tosca, escrever é publicidade. Mas na maioria das vezes não tenho opinião sobre isso, vejo que …

Juventude

É. Meu rosto tem tomado uma direção imprevista. Aos dezessete tenho envelhecido. Não sei se é assim com todos, nunca perguntei. Alguém já me falou nessa investida do tempo que nos acomete às vezes na primeira juventude, nos anos mais festejados da vida, anos onde todas as coisas são possíveis. Envelhecimento brutal. Vejo o apossar dos meus traços um a um, alterar a relação que havia entre eles, aumentando a obliquidade dos olhos de Capitu, fazendo mais triste o olhar, mais definida a boca, marcando a testa com profundas expressões. Observei isso com o interesse que teria dedicado a uma leitura. Não estou enganada, e sei que ficará mais lento, tomando o curso normal. As pessoas que me conheceram há um ano e meio, na época da minha viagem à Bahia, ficaram impressionadas quando me reviram. Mudanças.
E agora então? Há menos de três semanas a rapidez dobrou sua velocidade, mas o rosto...O conservei, as mudanças foram internas. Virei Beija-Flor, em bons voares.


Feliz dia dos Amados :)

Oi

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Na poeira do caminho segue o tempo, segue a rima, toda matéria-prima de quem canta sem desdém. O cantandor também nunca foi um vagabundo, ele é o menestrel do mundo a dar notícias do além. Estamos perto da seca nesse louco cerrado especulador em beleza e barões de ganância e o meu verso voa livre! Mesmo que eu improvise, esse mote Deus é quem dá. Eu vou cantar tudo o que houver nessa vida. Eu vou me danar no mei do mundo, cantar com meu Dom um galope à beira-mar, tocar o som que nasce da terra, ouvir o que o vento quer falar. E com as matas verdejantes, na alegria do estampido, nos quilombos coloridos...Festejando o dia de Reis. Depois voltar com os pés na serra e lembrar tudo o que foi cantado! Das rabecas, dos pifes, das pecinhas ao luar, dos reisados, das zabumbas e dos forrós a nos encantar e o ouvir o que o vento quer cantar.

*Àquela imagem de ontem à noite.

omaetue

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Conheci Eduardo e Mônica.

"Amor, que vence os Tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência,mais se apura."

-Claudio Manoel da Costa

êxodos

Laranjas, muitas laranjas
Entre o popular e o onírico
Noutrora na terra
Eis que já arreganha
a filosofia-lírica

Poesia tamanha
De tanta ousadia
São tantos os rebanhos
Profecia na Luz
Seja como em qualquer outro dia

Essas dores
Minha dor. Nossas dores
Padece no juízo do deflorador
com as pétalas da flor.