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Mostrando postagens de Junho, 2010
chorei por umas duas horas seguidas. mas ninguém, enquanto eu caminhava, viu. ninguém olha mais no rosto de ninguém. cortaram minhas pernas e ainda assim meu corpo é quase infinito, se não fosse toda essa humanidade. minha alma não é de chumbo, é de taboca. frágil. e tão jovem. ando comendo como um leão, há tempos não desejo mudar o mundo, na verdade, quero é que se foda. agora, quanto pior... melhor. flores me rendem, deixam minhas mãos na cabeca e as armas no chão. flores, flores. só as de verdade. e o amor me faz tão pequena, amor. a gente morre às vezes. e lento.
naquela hora tive vontade de quebrar a cadeira no chão de madeira onde elas estavam sentadas, só gritar e gritar e gritar. não parar de gritar. rasgar todos aqueles papéis postos no chão.
e o que é que você tem a ver com a porra do meu sexo? quero que você me pague o que me deve, tudo o que me deve. também que me perdoe pela grosseria daquele tempo em que me levava o lanche da tarde na cama enquanto assistia desenhos anim…
há alguns metros de mim. com violão e livros. toca, toca, toca, toca mais. é só um estudo chato, você diz. mas eu, com tudo isso que acha ser pouco, me dá vontade de chorar. como quando choro o nosso sexo. o cachoro, crianca que é não percebe a beleza que te percebo, te olho e nem vês. náufraga no acude de teus dedos, no ritmo tracado da danca das tuas mãos de pilão, desfiando meus rosários, que estão à espera da música dos teus lábios que me beijam enquanto cantas.

imploro a deus adeus

todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a deus? quem disse isso se enganou, sinto muito. não suporto mais os estranhos que estão pela casa. ontem eu fingia de alguma forma que existia intimidade. essa tentativa saiu correndo, embora, buscar outra residência. peguei toda essa beleza fingida, coloquei no colo e a espanquei. só restou a indiferença. as grades de onde ficam os meus monstros estão abertas. nunca que me vi tão má. cruel. estúpida. estátua de sal. palavras são cuspidas sem que os olhos comtemplem meus lábios no ato. nunca digo olhando no rosto. cheguei ao limite do desprezível. eu quero minhas gavetas de volta. minhas prateleiras de volta. meu amor de volta. quero o que é meu de volta e que sempre encontro dentro das tuas coisas escondidas. quero a beleza dos cantos do meu quarto vazios de novo. quero de volta uma pia sem formigas e louças sujas, banheiro sem cheiro de mijo. os varais parecendo pertencer a um cortiço. quero que vocês vão embora, já extraíram …

clarice, minha clarice.

se tudo existe é porque sou. mas por que esse mal estar? Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. mas alguma coisa está errada e dá mal estar. no entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. abro o jogo. o que há então? só sei que não quero a impostura. recuso-me. eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.
"que coisa é a conversão de um alma, senão entrar um homem dentro de si e ver-se a si mesmo? aquilo que atravessa o espírito, cortando a pele. pensando nisso, quando me falaram um agrado, ri como quem tem chorado muito. a arte, como um artifício, localizao sublime no banal (é preciso educar os sentidos para perceber o mundo). então percebo que o tempo não existe fora do homem; o tempo é humanizado. só existe dentro de mim. existiu a partir do momento em que foi inventado, fragmentado. ora, como minha conversão se inicia se encontro dentro de mim somente os pedaços do tempo?"
nathália.
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nunca tinha ficado tanto tempo com o blog no mesmo brilho. ele não me refletia os espelhos. estava branco, sereno. não estou tão limpa, agora sou o contaminado metal contra as nuvens. a única coisa que se mudou da multicor para um sereníssimo branco foram as cortinas do quarto, pra apaziguar os olhos. é muito bonito quando o sol da manhã bate. os diias passam e fica mais difícil acordar e abrir as janelas, esse frio tem levantado as penugens, as poeiras. acho o calor mais romântico, de manhãnzinha não sofro em cuidar das flores. brinca-se na rua, toma-se banho de mangueira, vai à cachoeira e não dá vontade de deitar-se e dormir durante horas, como é quando está este gelo, minhas mãos ficam tão geladas que nem quem me ama quer encostar. meus pés adormecem junto com a cidade. Frida voltou pra casa, suja de barro. o que é branco está laranjado. nesse blog nunca escrevi o que quisesse escrever de verdade, na íntegra. nunca respeitei a inconveniência da palavra. quase ninguém tem essa cor…
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os paraísos em que correm leite e mel nunca me seduziram, são cores sem florações de multicores. como habitar um universo onde fosse todo inteiro comestível. Gostaria de poder mastigar as amendoeiras em flor, morder os confeitos do crepúsculo. Projetando-se no céu de Brasília, os anúncios de néon parecem guloseimas, biscoitos ingleses gigantescos. Me senti frustrada.

Beauvoir, com a minha cidade trocada por mim

Biologia não é destino.

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ninguém nasce mulher, torna-se mulher.

Simone de Beauvoir
Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão, uma sombra, uma ficcão.
O maior bem é o tristonho, porque toda a vida é sonho e os sonhos, sonhos são.

Calderón.

Primeiro Batizado Capoeira Estrelada : Violino, Abusadinha, Perigoso e Voador. Mestre Danadinho

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Humberto Gessinger,

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Nada de palavras bonitas, literárias, hipnotizantes. Quero primeiramente confessar minha fraqueza diante da tristeza e frustracão que me foi causada, porque eu devia ter mandado você tomar no cu e se lembrar de como é ser gente. Isso mesmo, quero que você vá se foder, seu playboy branquelo marketeiro. Coloquei a foto do autógrafo pelo motivo de estar me agradecendo por alguma coisa que nem sabe. Tem que me agradecer mesmo, bicho, porque eu ajudei a construir teu castelo de mentira (que brega). Eu sei que é quase que um ato inconsciente seu, três palavras em escala industrial, sorrisinhos na mesma linha de montagem. Sua decadência. Também que se foda. A culpa é minha de ser tão pré-conceituosa, que por ouvir "toda forma de poder é uma forma de morrer por nada, toda forma de conduta se transforma em uma luta armada, a história se repete mas a força deixa a história mal contada..." eu jurei ser alguém que inquieta as pessoas, mas na real, Fidel e Pinochet riem é de você, seu bo…
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"Durante muito tempo caminharam em grupo. Logo descobriram que caminharam sozinhos entre outros solitários. Aqui faço uma pausa: detenho-me para olhar pra trás..."
Além das Ilhas Flutuantes - Odin Teatret - Barba

meu filho vai ter nome de santo, quero o nome

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tudo da minha cabeça.

CATACLISMOS

De quem é a culpa desse sentimento de solidão em que me sinto cortejada, cortada agora, desde os primeiros minutos em que abri os olhos pela manhã, enquanto desfruto da minha digestão num restaurante de rotina? De quem é a culpa? Minha? Sua? De todo mundo desde sempre até hoje? Digamos: De quem é a culpa de eu me sentir culpada?
Tudo estava tão bem ! Ou está e o problema é dentro da minha cabeça. A culpa do meu problema é todo o machismo do mundo, não puramente dele mas do feminismo que entra em mim dilacerando conceitos que recebi durante o começo e o durante da minha adolescência, diga-se de bostagem, que merda de adolescência. O pior é que gosto dessa merda de fase, tenho um certo orgulho dela. Enfim, estou triste, olhando as flores e as pessoas andando na rua me dá vontade de chorar, mas não choro, e nem prendo as lágrimas. Escrevo tudo isso depois da densidade em que uma aula sobre o teatro de Artaud me provocou.
Ai, mulheres. Ai, mundo moderno. Novas formas de comunicação. CATAC…

gosto pra carilho desse velhinho

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Eu gostei. Fui e gostei. Eu desfrutei ocular e interiormente do banquete oferecido nesse último domingo. Não pude ir ver os outros espetáculos: Taniko, Cacilda e as Bacantes.
Foi o bafafá da cidade essa visita da Cia de Zé Celso. Em duas semanas aconteceram as oficinas e fechando com o gradioso show de arquibancadas e frutas, DIONÍSICAS.
Eu digo que quem foi, mesmo que não tenha gostado e saído antes das 6 horas de cena acabarem, ganhou, ganhou de alguma forma, foi um massagem pra abrir o espaço de tolerância que cada um tem dentro de si quanto à sexualidade que nos é reprimida desde o nascimento. Eu sou testemunha disso. Eu não fico chocada com as cenas, mas com a possibilidade delas em cima do palco feitas por mim. Pra mim é tranquilo, tá, nem tanto, mas nada que chegue a ser um tabuzão vendando as minhas vistas. Na minha história tem um grande massacre da minha liberdade sexual, que hoje me encontro num processo de autorização por mim mesma de mim mesma. Passei quase a minha adoles…