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Mostrando postagens de Junho, 2011
"Úrsula, escandalizada, forçou a fechadura do baú e encontrou no fundo, atadas com fitas cor-de-rosa as dezesseis cartas perfumadas e os esqueletos de folhas e pétalas conservadas em livros antigos e as borboletas secas que, ao tocá-las, se converteram em pó."

Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez

escrito a giz branco naquela parede azul, por mim.

"Dói sempre na gente, alguma vez, todo amor achável, que algum dia se desprezou... Mas, como jagunços, que se era, a gente rompeu adiante com bons cavalos para retrôco. Sobre os gerais planos de areia, que morreram, sem serra de quebra-vento..."
Guimarães Rosa
Conversa De Botas Batidas Los HermanosComposição: Marcelo Camelo Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar
Veja você, quando é que tudo foi desabar
A gente corre pra se esconder
E se amar, se amar até o fim
Sem saber que o fim já vai chegar
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar
Abre a janela agora
Deixa que o sol te veja
É só lembrar que o amor é tão maior
Que estamos sós no céu
Abre as cortinas pra mim
Que eu não me escondo de ninguém
O amor já desvendou nosso lugar
E agora está de bem
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar
Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é pa…
quero dizer que: eu me amo.


primeiro porque é verdade. segundo porque estou precisando dizer. terceiro que tem que ser pra todo mundo.



DROGA

je ne vais pas éteidre

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Estou superando porque já consigo conversar com as pessoas. Não fico mais olhando pra elas sem escutá-las. consigo responder as perguntas.
ps: Obrigada, pai,  vc é um ótimo amigo. Obrigada, Dani, vc é também um ótimo amigo. Guardadores de segredos. Tenho que entender essa beleza de vocês em aceitar o outro, sem sermões, sem julgamentos. com carinho. Eu amo vocês. Minhas companhias.
Estou superando esse amontoado de terremotos que se sucederam. Ainda dói pensar em muitas coisas escutadas, vistas, faladas. Embora sejam sensações contrárias ao mesmo passo. Sinto-me mais fraca, sensível, maleável. Não sei se pela natureza de um dos terremotos que me tornaram a passar por isso: um aparente retrocesso à infantil adolescência, ou à primeira fase adulta. Uma necessidade imensa de ter meus cabelos de volta. Quero me sentir agradável aos olhos. Vontade de não ser vista mutante por crianças,  que ao me verem de vestido tentam entender... sou uma menina careca. Uma necessidade de estar bem vestida, de receber elogios. Veja só, um dia desses atravessando a faixa de pedestre indo pra faculdade, um moço me pergunta qual foi a operação que eu fiz, qual era o meu problema. Nem consegui sentir nada. E nem pensar sobre o assunto. Só disse que "nenhuma". Ele estranhou. E continou andando rumo aos Ministérios, naquele frio que eu sei muito bem agora. orelhas quase que queb…

queens for a day

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moi et mes 19 ans et 10 mois avec joão pedro et ses 3 mois et 17 jours

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foi lindo

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Peguei o metrô rumo a todas aquelas que são iguais a mim. Três cartazes nas mãos, feitos de tinta e papelão, fiz questão de levá-los à mostra. Não havia um olho que escapasse àqueles gritos estampados coloridos. "MACHISMO METE E MATA", "METRÔ/ÔNIBUS LOTADO = PINTO ROÇANDO", "RESPEITO É SEXY".  Chegou a estação central, onde iria descer. Subi as escadas do metrô, já dava pra sentir a energia e a força que me esperava lá em cima, em frente ao Conjunto Nacional, até porque no caminho, no mesmo vagão percebia-se que mulheres ali estavam indo para o mesmo lugar que eu, mulheres como eu. Subi as escadas da Rodô, e já deu pra ver ali à frente o estampido colorido dos gritos, das batucadas, da liberdade, das vontades, da amorosidade: A MARCHA MAIS BONITA DA CIDADE. Nós, meninas, moças, mulheres. O arrepio começou de longe. Amigas, amigos, desconhecidos, todos tão lindas, lindos! AMANHÃ VAI SER MAIOR!


O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos mais bá…

MARCHA DAS VADIAS - SLUT WALK BRASÍLIA

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Futuro de uma delicadeza
“– Mamãe, vi um filhote de furacão, mas tão filhotinho ainda, tão pequeno ainda, que só fazia era rodar bem de leve umas três folhinhas na esquina...”

bela Clarice - Para não esquecer

A MARCHA DAS VADIAS - 18 de junho

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A Marcha das Vadias será realizada em Brasília no dia 18 de junho. O evento é um protesto pelo direito das mulheres de se vestir, andar e agir de forma livre. Em protesto ao machismo que nos reduz ao um simples pedaço de carne suculenta.A concentração será às 12h, na praça em frente ao Conjunto Nacional. Sairemos em marcha às 13h. Passaremos pela Rodoviária, Feira da Torre e depois nos juntaremos a Marcha pela Liberdade. Nem Santas nem Vadias. Mulheres Livres! Vamos juntas fazer a marcha mais bonita!!! Ajudem a divulgar!
O Slut Walkfoi criado após um representante da polícia do Canadá ter declarado que as mulheres deveriam evitar se vestir como vadias para não serem vítimas de estupro. As declarações causaram revoltas e geraram um grande movimento organizado na internet, que começou no início de abril com o protesto de Toronto e já aconteceu até agora em mais de 20 cidades norte-americanas e australianas. Dia 4 de junho aconteceram também em Los Angeles, Chicago, Edmonton…
hoje mudei o caminho.
deu pra ver brasília como nunca antes.
vento bateu.
e vi, percebendo que caminhava sozinha.
foi uma delícia.
Às vezes, tudo o que quero pro futuro é receber uma ligação sua perguntando como foi meu dia.

Ataque Beliz

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fazia tempo que procurava, tá aí
acabei de ligar. e é isso mesmo.
eu to tranquila
porque não acredito. eu só posso tá tendo um pesadelo. como assim? gente. enquanto é tão certo é muito errado.
eu me acalmei. ontem eu queria morrer. hoje acordei parecendo que tinha levado um soco. hoje tirei as cartas. chorei a tarde inteira de novo. antes, de manhã, fiquei torcendo para você me ligar, sei lá, dizer: pára de bobagem, eu te amo. o celular, ele tocou uma vez, não era voce. tocou outra, droga, não. acho que não vai ligar. acho que vou desligar, tá acabando a bateria mesmo, e fica dando esse barulhinho insurpotável, eu sei o quanto você é certo, correto, reto, discreto. droga, desliguei o celular e você me ligou, desesperei com aquela mensagenzinha da Claro..."tal numero ligou tantas vezes nesse horário". o que eu tenho que fazer agora? ligar de volta. e se eu desabar de novo? é isso mesmo que eu quero?  que estranheza essa recuperação durante esse frio da tarde. é eu dizendo pra mim mesma que tenho que me impor ao mundo, me colocar, me confiar. eu tô tranquila. pelo menos até agora, nesse momento. porque a gente fez isso junto, tem beleza na gente até aí, a cumplicidad…
"E considerou a cruel necessidade de amar.
Considerou a malignidade do nosso desejo de ser feliz.
Considerou a ferocidade com que queremos brincar.
E o número de vezes em que mataremos por amor".
- Clarice Lispector
Foi isso o que aconteceu. A gente não sabia se tinha perdido o chão ou os pés (continuamos sem - um ou outro- por um tempo que ainda não se sabe). Perder o chão ou perder os pés, sentindo aquela sensação de que se caminha sobre os tocos das canelas em uma daquelas calçadas da 114 sul. Foi no fim da tarde fria de ontem. Foi, na verdade, um pedido de conversa recusado, que de alguma quaquer forma cuidadosa aconteceu. É sério? sim. É ruim? não. De fato, não foi ruim, mas doeu bastante, nos dois corpos. Uma saudade premeditada. Uma decapitação de pés ou de chão de repente. Eu chorei primeiro, porque diante das palavras vi que a porta deveria ser escancarada, vi que alguma coisa deveria ser tirada da mão com ela aberta, e éramos nós mesmos que deveríamos ser tirados de nós. 
Nunca vou esquecer da imagem daquela criança chorando dando tchau, pra mim, a outra criança chorando do lado de fora. Cada olhar era uma dor. Aquele beijo último do frio. Aquela vontade de pedir pra parar com toda aquela…

No elevador do filho de Deus

Elisa Lucinda

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a…

Quem não é recôncavo não pode ser reconvexo!

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São Paulo - maio de 2011



Espanha - maio de 2011



Quem não sentiu isso? Tá faltando sentir!
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"quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém." (dois- legião) tenho estudado bastante sobre a sensação do quão frágil eu sou e quão boba! Pouco tenho escrito sobre isso. O que mais aparece por aqui é sobre a falta que sinto de fazer isso. E eu só escrevo por saber que em algum lugar alguém me escuta, e, quase que necessariamente, esse alguém faz o mesmo que eu, escreve tendo um pouquinho de certeza de que outro alguém o está escutando. Fragilidade de nós independe de nós."O mundo independe de nós". (Clarice Lispector abriu minhas portas).OUVIRAM??: O MUNDO INDEPENDE DE NÓS. Não morram. vivam, então.Porque o corpo é que É, idéias não. Elas são usadas e esquecidas. O corpo não. O corpo age. ele não é esquecido. O que importa ? Não morramos por nada. façamos qualquer coisa. e isso se torna mais mais claro e clareador quando se Dança.

E eu já mudei totalmente de assunto. Mas o que eu quero…