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Mostrando postagens de Outubro, 2011
celebrar o choro
prático umidificador 
dos olhos que expulsa
pequenos corpos 
estranhos do meu ser:
agonia, melancolia,
sementes de melancia

amor impossível é assim:

eu queria ir aí lhe dar um abraço
não posso:
sinta-se abraçado

eu queria ir aí lhe dar um beijo
não posso:
sinta-se beijado

eu queria ir aí dormir com você
não posso:
sinta meu calor ao seu lado

eu quería ir aí amá-lo
não posso:
sinta-se amado

não posso
não posso
não posso

sinta-se desejado
sinta-se nu
sinta-se meu

sinta-se bem

itinerário do curativo

no início vai sair sangue, muito sangue. no início vai doer, depois não vai doer mais não. no início você vai sofrer - aliás, você está aqui pra quê? - no início você vai se desesperar, depois não vai se desesperar mais não. no início você vai querer morrer, depois não vai querer morrer mais não.

uma pergunta, apenas

quando isso vai passar mesmo?

miséria do amor

mentira
silêncio
crença
espera
não diz a verdade
mentira
silêncio
crença
não diz a verdade


machuca de graça

de 2 ou + corpos no mesmo espaço

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Fotografia do vídeo-dança em andamento: Lorraine Maciel.

cabeleiras cambalache

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nem medo

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eu gosto muito de olhar.
eu até paro de dançar só pra ficar olhando.
eu poderia ficar olhando a noite inteirinha
mas às vezes resolvo dançar.

respira respira e respira

Respirar é bom.
Faz passar muitas coisas.



passou...

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(...) Eu, pelos buracos dos vidros das janelas enferrujadas, espionava. Acho que era o jeito dela não deixar nascer escória da sua boca. Ela dançava... dançava... e dançava. Era ela a casa branca em ruínas naquela menina azul.
Dança e Edição: Camila Oliveira
Imagens: Rayane Noronha

só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão

mas deus dá asas à minha cobra.

Sobre Importâncias

(...) A importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem com barômetros etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encatamento que a coisa produza em nós. Assim um passarinho nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que a Cordilheira dos Andes. Que um osso é mais importante para o cachorro do que uma pedra de diamante. E dente de macaco da era terciária é mais importante para os arqueólogos do que a Torre Eiffel. (Veja que só um dente de macaco!) Que uma boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que o Empire State Building. Que cu de uma formiga é mais importante para o poeta do que uma Usina Nuclear. Sem precisas medir o ânus da formiga. (...) Há um desagero em mim em aceitar essas medidas. Porém não sei se isso é um defeito do olho ou da razão. Se é defeito da alma ou do corpo. Se fizerem algum exame mental em mim por tais julgamentos, vão encontrar que eu gosto mai…

Desprezo

(...) Quando a gente morava no Desprezo ele já era desprezado. Restavam três casas em pé. E três famílias com oito guris que corriam pelas estradas já cobertas de mato. Eu era um dos oito guris. (...) Naquele tempo do Desprezo eu queria ser chão, isto ser: para que em mim árvores crescessem. Para que sobre mim as conchas se formassem. Eu queria ser chão no tempo do Desprezo para que sobre mim os rios corressem. Me lembro que os moradores do Desprezo, incluindo os oito guris, todos queriam ser aves ou coisas ou novas pessoas. Isso quer dizer que os moradores do Desprezo queriam ficar livres para outro seres. Até ser chão servia como era o caso. Ninguém era responsável pelas preferências dos outros. Nem isso era uma brincadeira. Podia ser um sonho saído do Desprezo. Uma senhora de nome Ana Belona queria ser ávore para ter gorjeios. ela falou que não queria mais moer solidão. Tinha um homem com o olhar sujo de dor que catava o cisco mais nobre do lugar para construir outra casa. Não sei …

"territórios são no fundo relações sociais projetadas no espaço".

SOUZA, M. J. L.

elas tinham que parar pra olhar o céu naquele fim de dia

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aboletar cíclico das borboletas

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Aí, galera, aqui tá outro vídeo-dança da série : Primeiras Experimentações, criado por mim e pela Olivia. Projeto Dança pra câmera que muita garapa tem pra dar nas caneca do mundo. Dentro das primeiras chuvas da cidade.



E pra que ainda não viu o outro nosso, primeiríssimo, com sua banalidade colorida durante a seca brasiliense.


o veneno está na mesa

"Escrevi muitas linhas sobre você. Você que em tempos eufóricos esteve comigo. Você que nesses (...) tempos transformou o belo em pedaços. Pedaços dos quais fiz as palavras das linhas sobre você. Não guardo mais nada, mentiras evaporam com o tempo. Verdades, não. E você as tem tatuadas no coração. Guarde estas, são as últimas."

a diferença entre as poéticas e as escritas comuns, a radiação.

devo aceitar que lábios
tem o mesmo gosto de abismos


lavar e por flores em túmulos
trocar molduras de fotografias
tentando redimir o pouco amor.
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. 
Recomeça.

rápido e rasteiro

vai ter um festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.



aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida

as coisas que não pretendem prestam pra poesia.

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foto: ray

arco-íris: aliança de amor comigo mesma

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eu estorei esse assunto hoje. tirei de mim. limpei-me. caminhei por brasília pra lá pra cá de mãos dadas com as calçadas um chuva pra terminar o serviço presenteada com dois arco-íris e todos os ipês brancos da asa sul pra devolver-me perfurme que antes já era meu

solidão levada pelo vento

faz o favor!

"quando vc me encontrar
não fale comigo
não olhe pra mim..."

Jards Macalé.

forjei asas nos teus pés

hoje eu entendi: sonho não se dá.
o que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê?

sem título algum pra essa merda de sentimento desgraçado.

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Por horas eu pensei que fosse morrer. Foi a pior escolha pra um domingo. Querer morrer, sair correndo, dar um soco, desaparecer, ou fazê-lo desaparecer. Ouviram? - Fazê- LO e não fazer- TE. Não existe mais nada aqui que se possa achar  onde teu seu nome esteja no vocativo, em primeiro lugar, na segunda pessoa. Porque para ele não levantarei mais nem um olhar, nem palavra e nem abraço. Até agora não entendo o que pode ser, o que foi que me fez tomar essa decisão, pois se sabe o quanto se sofre e o quanto todas essas sensações já se repetiram.
"Quem procura acha" nunca foi tão correto. Dói demais. Doeu não querer dizer. Ter que calar porque qualquer soluço ou qualquer diferença de voz seria um porta a mais pra se fechar depois - agora -. Te desejo o que? QUERO QUE DESAPAREÇA. Porra de amor maldito desgraçado vagabundo de merda!
sai de mim. só isso. sai de mim. sai de mim. sai de mim. só isso. só isso. Pra solucionar sou capaz de mudar o meu nome, desaparecer, beijar um ouriço …