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Mostrando postagens de 2014

canção para leoninos em fá menor

vc tem sorte de me amar
[...]
perdida na noite
leonina cabeluda enrolada
vc tem sorte de me descabelar
chupar minha mão
lambuzar seu dedo
usar meu corpo como espelho
narcisa em meu umbigo

[...]

o diabo não me roubou
eu sou a primavera
os outros são o inferno
e vc é meu inferno

eu tenho ciúmes
ciúmes de você
ciúmes de você
eu tenho ciúmes de você

na sua boca eu viro fruta
chupa que é de uva
chupa que é de uva
na sua boca eu viro fruta
chupa que é de uva

eu tenho ciúmes
ciúmes de você
ciúmes de você
eu tenho ciúmes de você


você tem sorte de me amar

sei tanto pouco sobre como poderia ser eus

o nome dessa obra é o amor e como acontece a minha paixão

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calor de dentro da pele

25 de setembro de 2014

Brasília.


Escrevo o cabeçalho e penso que dificilmente escrevo fora dessa cidade. O que há nela que me conduz à página branca?
Revirando hoje algumas coisas da minha mãe li uma frase num livro do Paulo Freire, com a letra dela: Na procura, aprende-se a ter esperança.

Me reviro pela cama, percebo que o que faço são constatações: a cidade é tão barulhenta à noite! Mesmo que eu tenha que colocar o volume da televisão à meia noite no volume 5, e quanto mais madrugada, menos. Ainda assim há ruídos de coisas que estão tão longe mas que dão para escutar. Avião. Nunca peguei um voo que chega 1:41. Não teria dinheiro pra pegar um taxi, ou uma casa em que pudesse acessar a esse horário.

Percebo que mudei o tempo em que escrevo, o tempo das palavras, o tempo verbal...

Penso no barulho baixo da cidade porque, depois de muitos minutos me revirando pela cama, devido uma grande agitação e ainda alimentada pelo calor da cidade em setembro,percebo que constatei muitíssimas out…

carta a qualquer uma, se não fosse tão chato.

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[Acabei de ler o 1º capítulo de A confissão da leoa - Mia Couto]

MUITO.

Quando presencio  profundidades de qualquer coisa como essa - em apenas um capítulo, um universo - me lembro como o tempo é precioso ao chegar em qualquer lugar: O TEMPO DE CHEGAR.
E não é prestar atenção no tempo, mas distrair-se nele. Ele, o tempo, conduz profundidades com qualquer despropósito. Quando estive presente na brincadeira do Samba Pisado (botando figura), pude ter uma dimensão de mergulho profundo numa Celestina em que se vive não com focos, mas com despropósitos. Detalhes de conversas que as Figuras encantadas podiam nos trazer flagrando qualquer coisinha pequena e que eram estruturais.

Nessa vida que tive nesse terreiro pude ter na minha história mais uma forma de âmago, de busca infinita, um reconhecimento de existência.



Então, estamos a provocar o encontro.
Quando penso em dizer coisas sobre um povo com tanto mistério, que são os Kalunga, me vem antes um susto seguido de uma certeza de imcompletud…

só posso dizer que tô alargando.

tem sido mais doce dentro
e que a gratidão tem pernas próprias.

ganhei um presente de 23 anos

.e como eu poderia usar palavras pra depois de olhar e sentir ao redor - o longe e o perto?
como é bom caminhar ao teu lado, tucum!
como é bom.
meu desejo é ficar muda agora. fechar os olhos e te sentir bem pertinho de mim.
o calor. o carinho.
obrigada por presente tão.
amor tanto.
tua voz.
obrigada.

domingo dia de ficar em casa.

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sábado

coisas da graduação:

passei o dia olhando o que juntei dentro de uma caixa, cheia de pastas, planos, apreendimentos,                desapegos, coisas bem feitas e esquecidas.                  me perdi em tanta coisa boa que consegui ter durante os anos e sem precisar da matéria que só ontem dei uma remexida, de leve. essas coisas merecem mais um tempo. merecem viajar comigo.             tem um grande potencial de trabalho para fora de mim.

no meio disso, numa folha de caderno qualquer,        sem ser a coisa mais bonita que vi,           coloco aqui este pedaço:
[2012] 
"as sensações passam e eu não sei mais pra quê escrevê-las,
                                                                                       se entregar é a o melhor plano.          
       estar na fotografia.                                                  
   babozeiras sobre o equilíbrio.                   blargth [ mentira ]. o fogo não é reto, é dançante e no corpo de                               …

começo afobada

Pela maneira como me comportamos nessa conversa, sinto que deveria recomeçar.
mudei meus planos pra poder entrar paz com meus pensamentos nessa manhã, porém não foi nada além do que aceitar o que a contagem opressiva das horas me empurrou a fazer: não conseguir chegar no horário em nenhuma das coisas que eu havia planejado fazer.
Fiquei por aqui pra tentar organizar um pouco o meu estar no mundo, hoje.

Bem, saí do carro segundos depois de patética, repetitivamente arrogante por inércia, revirar os olhos depois de uma fala sua. Mas também devo dizer que meu gesto não se economiza nessa conotação, é tentar esquecer, defensivamente por mim, e não defensivamente de você.

Me irrita profundamente algumas coisas e digo que este tem sido meu trabalho dos dias, me manter paciente e encarando o dia. Encarar o dia no sentido de não me perder no que ele poderia ser, isso é o desperdício do dia e faz muito mal à saúde. Temos que fazer com o dia o que fazemos com as pessoas: olhar pra elas.
Mas sem…

tudo vai se realizar com muito amor, amor. eu espero até lá.

meditação 2

isso também vai passar

tá, eu confesso.

eu confesso é pra mim que todo o desenho das batidas do meu coração na noite, como numa topografia, depois de uma fogueira ansiosa, idas, vindas pelo beco enfeitado de bandeirinhas de são joão, arrancando  e acolhendo alheios e dando de mim pedacinhos entre as pessoas ( esses são gestos poucos, de mim, verdadeiros), esses desenhos me, de algum jeito, me fortalecem... mesmo que talvez esquente meu estômago, lave meu  rosto ou sangre meu ventre. confesso que eu aprendo alguma coisa, eu acho.
Um dia, em algum momento dos nossos dias, a gente vai se lembrar que muitas de nós ficaram grávidas num mesmo período, desejando juntas muito amor e luz aos que vem chegando. e é bom pensar nisso com olhos de passado. mesmo tão insegura. e eu confesso que  tenho sentido, agora, que esperar por isso é muito perigoso.

depois fui embora sem me despedir comendo brigadeiros engomados no açúcar.

então me lembrei tempos atrás, eu já fervi um dia: eu confesso, que nessa lua comovedora como o diabo, me entreg…

Meus ossos e meu estômago quente descendo as escadas da Rodoviária do Plano Piloto de Brasília em agosto de 2014.

Descendo as escadas da Rodoviária retorno a pensar em coisas - coisas que não se formulam em palavras que acabam formulando frases. O que pensei me acontece. Eu não penso em formato de frases e palavras.

Descendo aquele tumulto do Setor Comercial Sul sinto saudades da Ester, vontade imensa de se saber perto, de estar tudo bem, de esquecer. Toda a privação de estar na fronteira da loucura, de achar que está plantando sobre ilhas flutuantes, de pisar no chão do meu ideal e com isso, a colheira de sofrimento, de desmoronamento, ou a colheita do vazio se formulando como sensação enquanto penso.

A fronteira da loucura que me estanca a comunicação. Deus, quanta dor seria infinitamente pra dentro se conviver eu fosse nesse mundo onde o processo de divisão do ESPAÇO, TEMPO, INSTANTE é do império da linguagem. Pra quem então posso dançar? Ainda tenho medo de dançar pros outros. O que eu sinto não se formula em frases.

A linguagem é instantânea. A puta não pariu. Puta merda.

Penso, descendo as …

meditação

não subestime.

aprendendo a jogar

olho no meu reflexo a marca entre os olhos e a sobrancelha que me dá a boa sensação de estar realmente caminhando na minha vida, caminhando com meus pés e meus pesos.

marcas não só aparecem,como podem ser desenhadas.

uma tensão muscular entre os olhos é parte de mim, que vem sendo ser outra coisa. pelo menos a noção de que a tensão pode ir pros ares. descer pros dentes, até mostrá-los.
avistei minha mãe pela janela com a mesma marca que a minha. molhando as plantas, olhando tenso.

em mim, essa vida pode se transformar.

plural pluvial

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fiz das palavras minhas asas
é preciso estar atenta e forte
não temos tempo de temer a morte.

tristezas divertidas

divertidas tristezas

quanto ego.

quanto centro.
quanto centro fora do eixo.
quantos eixos fora dos egos

desequilíbrio.

lamento ou súplica 22

acho que, pelo o que acompanhei da vida dos irmãos dela, essa parece ser a fase de idade em que estes conflitos de um medo tão babaca e nojento se escondem dentro das coisas, como surpresas dentro de caixas de brinquedos.

é um momento de respiração, por favor.
espero que ela respire.
e tenha paciência.
e se sinta bem com o tempo
seco passssssando
e a falta das
coisas.

ela precisa que chova.
e que seja lavada.
dessa sujeira
cinza
das chantagens
e sussurros
engomados
de considerações
superficiais.

samba

meu tamanho no teu
teu tamanho no meu

passarim
me esconde os cantos
no amor que não vem pequeno
que eu tô maior

meu tamanho no teu
teu tamanho no meu

não vem pequeno
que eu tô maior

porque que tô maior

dos cantos amplos
se ve os amplos cantos
que tu vê

teu tamanho no meu
meu tamanho no teu

disse que me tem amor, eu vim

eu me derreto nela
a gente é de onde
for

retratos

cada um
e, o instante do
encontro, cada.
cada qual e
seus pedaços voando
na imagem que
se pode ser
e não dizer
quem é o
que é, mas
como vem.
se for

dalva

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aquela mulher
uma nenhuma mil

lembro que

quando eu senti pela primeira vez um certa distância da adolescência foi quando eu vi que estava precisando lavar os tênis
(eu estava lavando os tênis)

e agora também, lembrei lavando os tênis.

lavar os sapatos. quanto adultério.

um passeio médio

por minhas palavras
e quanta saudade
saudade
saudade escrita

em coisas não escritas

e coisas não escritas

Guarda a chuva

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"as nuvens são rios alados. e a chuva me lembra você. e quando eu te vi pela primeira vez eu sabia que era sempre hoje, muita espera e nunca adeus"

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muito prazer

que momento de música.
o movimento das coisas me olham e eu olho o movimento do que consigo ver.
e elas mudam de lugar.
eu toco nelas.

me deixo fora de casa a partir de um abrupto estado de instante num sábado à noite, depois de fechar os olhos diante, bem diante, da cara do dia.
quando a noite cai, a luz me faz abrir os olhos e olhar pro movimento das coisas.
o que me esvazia das necessidades que falam, pensam e pausa.



eu sei o quanto me dá prazer ouvir essa música.
eu sei o quanto me dá prazer ser sozinha e ter que lidar com minhas caminhadas de mochila pela cidade branco, cinza, verde, vermelha....
prazer só.
e como é novo lidar com o poder.
o poder.




e depois como é bom viver
que o prazer é não sozinho.
poder em movimento.
não-poder.

a rede - o emaranhado

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lugar

viajar muda
as coisas
de lugar
sem precisar
tocar nelas

olho fechado

será que debaixo da cidade tem um mundo de árvores deitadas?

ladainha de biriba

como eu entendia:
o mundo com deus é grande
o mundo sem deus é mais

e como era:
o mundo com deus é grande o mundo sem deus é nada

mais que muito

você é ilumina
na vida

muito de mim se ilumina com
você dentro.

e fora.

eu tenho que saber o que fazer com isso,

eu pensei enquanto caminhava entre o conjunto nacional e o conic quando queria chegar no setor comercial sul.

há dias pareço assistir uma bizarrice. existe uma tristeza em mim que habita os meios e os cantos. caminho bem com ela, mas dói.

enquanto, mais uma vez, ando de um lugar ao outro escuto os gestos e sons das palavras.
-moça, você não vai conseguir se não pagar essa taxa.
-moça, me dá 1 minuto?
-compro, troco e vendo ouro!
-exame admissional comigo!
-firififi do moço da limpeza assobiando.

há um mês ando com alguns trocados alimentando meus sonhos selvagemente e tentando dividir o que tenho com quem divido o mundo.
tá bem difícil e às vezes a Máquina me trava em algum lugar (e rezo pra que seja sempre um lugar possível), imóvel com a tristeza que a partir desse dado instante aflora na pele.

o dinheiro desumaniza. te deixa distante da morte, distante da fome, mesmo que na ilusão... ele te deixa longe. já (ou há muito tempo), não ter dinheiro não é normal. TemQue ter dinheiro.

e e…

brasília

me fazendo engasgar
com esse concreto
áspero
ta doendo no osso do peito

aniversario do mestre

hoje, dia de uma superação
dia de ser só
e perceber-se sendo
jorrar sangue
e descer a rua escura sozinha à noite


é sonho, e sonhos são.

não posso mais

mentir:
sim
ou
não


é que são.

nem todo desejo

é pro capital
de capital
com capital
mesmo sendo na capital

fui no oftalmo

e ele disse que meus olhos são bastante expostos.

acho que isso diz muito sobre mim.

desde um tempo

Meu olhar tem sido relaxado.
Diferente dos meus músculos.

precisa-se

quero amizades
que gostem de ver baleias
e ver baleias nao é fácil

dormir na rua
fotografar várias vidas
por nada
por conforto
e travesseiro de ouro
e de amor

mais de amor

Amém

passeio
à passeio
e mais que à passeio.
o mundo é bom
e que esse amor seja
e esse amor me transborde
e que eu-corpo seja tranquilo
AGORA é devagar também
Amém.

braxília

tenho vivido esse exílio
pontuais visitas carimbadas

programa pra esse domingo

fazer
um filme
ou um
filho,
amor?

memória

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verdade

é importante dizê-la
mas
importante é quando
não é palavra.