Postagens

Mostrando postagens de Agosto, 2014

carta a qualquer uma, se não fosse tão chato.

Imagem
[Acabei de ler o 1º capítulo de A confissão da leoa - Mia Couto]

MUITO.

Quando presencio  profundidades de qualquer coisa como essa - em apenas um capítulo, um universo - me lembro como o tempo é precioso ao chegar em qualquer lugar: O TEMPO DE CHEGAR.
E não é prestar atenção no tempo, mas distrair-se nele. Ele, o tempo, conduz profundidades com qualquer despropósito. Quando estive presente na brincadeira do Samba Pisado (botando figura), pude ter uma dimensão de mergulho profundo numa Celestina em que se vive não com focos, mas com despropósitos. Detalhes de conversas que as Figuras encantadas podiam nos trazer flagrando qualquer coisinha pequena e que eram estruturais.

Nessa vida que tive nesse terreiro pude ter na minha história mais uma forma de âmago, de busca infinita, um reconhecimento de existência.



Então, estamos a provocar o encontro.
Quando penso em dizer coisas sobre um povo com tanto mistério, que são os Kalunga, me vem antes um susto seguido de uma certeza de imcompletud…

só posso dizer que tô alargando.

tem sido mais doce dentro
e que a gratidão tem pernas próprias.

ganhei um presente de 23 anos

.e como eu poderia usar palavras pra depois de olhar e sentir ao redor - o longe e o perto?
como é bom caminhar ao teu lado, tucum!
como é bom.
meu desejo é ficar muda agora. fechar os olhos e te sentir bem pertinho de mim.
o calor. o carinho.
obrigada por presente tão.
amor tanto.
tua voz.
obrigada.

domingo dia de ficar em casa.

Imagem

sábado

coisas da graduação:

passei o dia olhando o que juntei dentro de uma caixa, cheia de pastas, planos, apreendimentos,                desapegos, coisas bem feitas e esquecidas.                  me perdi em tanta coisa boa que consegui ter durante os anos e sem precisar da matéria que só ontem dei uma remexida, de leve. essas coisas merecem mais um tempo. merecem viajar comigo.             tem um grande potencial de trabalho para fora de mim.

no meio disso, numa folha de caderno qualquer,        sem ser a coisa mais bonita que vi,           coloco aqui este pedaço:
[2012] 
"as sensações passam e eu não sei mais pra quê escrevê-las,
                                                                                       se entregar é a o melhor plano.          
       estar na fotografia.                                                  
   babozeiras sobre o equilíbrio.                   blargth [ mentira ]. o fogo não é reto, é dançante e no corpo de                               …

começo afobada

Pela maneira como me comportamos nessa conversa, sinto que deveria recomeçar.
mudei meus planos pra poder entrar paz com meus pensamentos nessa manhã, porém não foi nada além do que aceitar o que a contagem opressiva das horas me empurrou a fazer: não conseguir chegar no horário em nenhuma das coisas que eu havia planejado fazer.
Fiquei por aqui pra tentar organizar um pouco o meu estar no mundo, hoje.

Bem, saí do carro segundos depois de patética, repetitivamente arrogante por inércia, revirar os olhos depois de uma fala sua. Mas também devo dizer que meu gesto não se economiza nessa conotação, é tentar esquecer, defensivamente por mim, e não defensivamente de você.

Me irrita profundamente algumas coisas e digo que este tem sido meu trabalho dos dias, me manter paciente e encarando o dia. Encarar o dia no sentido de não me perder no que ele poderia ser, isso é o desperdício do dia e faz muito mal à saúde. Temos que fazer com o dia o que fazemos com as pessoas: olhar pra elas.
Mas sem…

tudo vai se realizar com muito amor, amor. eu espero até lá.

meditação 2

isso também vai passar

tá, eu confesso.

eu confesso é pra mim que todo o desenho das batidas do meu coração na noite, como numa topografia, depois de uma fogueira ansiosa, idas, vindas pelo beco enfeitado de bandeirinhas de são joão, arrancando  e acolhendo alheios e dando de mim pedacinhos entre as pessoas ( esses são gestos poucos, de mim, verdadeiros), esses desenhos me, de algum jeito, me fortalecem... mesmo que talvez esquente meu estômago, lave meu  rosto ou sangre meu ventre. confesso que eu aprendo alguma coisa, eu acho.
Um dia, em algum momento dos nossos dias, a gente vai se lembrar que muitas de nós ficaram grávidas num mesmo período, desejando juntas muito amor e luz aos que vem chegando. e é bom pensar nisso com olhos de passado. mesmo tão insegura. e eu confesso que  tenho sentido, agora, que esperar por isso é muito perigoso.

depois fui embora sem me despedir comendo brigadeiros engomados no açúcar.

então me lembrei tempos atrás, eu já fervi um dia: eu confesso, que nessa lua comovedora como o diabo, me entreg…

Meus ossos e meu estômago quente descendo as escadas da Rodoviária do Plano Piloto de Brasília em agosto de 2014.

Descendo as escadas da Rodoviária retorno a pensar em coisas - coisas que não se formulam em palavras que acabam formulando frases. O que pensei me acontece. Eu não penso em formato de frases e palavras.

Descendo aquele tumulto do Setor Comercial Sul sinto saudades da Ester, vontade imensa de se saber perto, de estar tudo bem, de esquecer. Toda a privação de estar na fronteira da loucura, de achar que está plantando sobre ilhas flutuantes, de pisar no chão do meu ideal e com isso, a colheira de sofrimento, de desmoronamento, ou a colheita do vazio se formulando como sensação enquanto penso.

A fronteira da loucura que me estanca a comunicação. Deus, quanta dor seria infinitamente pra dentro se conviver eu fosse nesse mundo onde o processo de divisão do ESPAÇO, TEMPO, INSTANTE é do império da linguagem. Pra quem então posso dançar? Ainda tenho medo de dançar pros outros. O que eu sinto não se formula em frases.

A linguagem é instantânea. A puta não pariu. Puta merda.

Penso, descendo as …